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    O erro de Moisés: uma séria advertência para nós

    "Santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo" (1Pe 3:15-16).

    Após a passagem pelo Mar Vermelho, o povo de Israel deu início a sua jornada no deserto, mas antes de chegarem ao monte Sinai, o povo murmurou pela falta de água. Deus conduziu os israelitas a Elim, "onde havia doze fontes e setenta palmeiras" (Nm 33:9). Em outra ocasião, ainda por causa de água, o povo contendeu com Moisés em Refidim. Deus disse a Moisés para usar o bordão: "Ferirás a rocha, e dela sairá água, e o povo beberá" (Ex 17:6). A rocha fendida representa Cristo sendo ferido por nós, pois Dele saiu a água da vida para nos suprir (1Co 10:4).

    Havia muita murmuração entre o povo de Israel. Quando não havia comida, Deus enviou o maná (Ex 16:14-15). Ele havia preparado tudo, entretanto o povo continuava reclamando. Era um povo de dura cerviz, a ponto de o próprio Senhor falar em destruí-los e fazer da casa de Moisés uma grande nação (Ex 32:10). Contudo Moisés não concordou e suplicou ao Senhor em favor do povo: "Então se arrependeu o Senhor do mal que dissera havia de fazer ao povo" (vs. 11-14). Moisés orou por eles e os defendeu várias vezes.

    Em Meribá, novamente o povo reclamou por causa de água, e Moisés e Arão buscaram o Senhor. Deus disse então a Moisés que tomasse o bordão e, junto com Arão, falassem à rocha (Nm 20:8). Eles deveriam apenas falar à rocha, prefigurando que o Senhor Jesus só podia ser ferido uma vez. Os dois, porém, não estavam suportando as reclamações do povo, por isso Moisés se irou e feriu a rocha novamente. A água fluiu, mas ele errou. Bastava falar, mas ele não obedeceu ao que o Senhor dissera. Por fim, por causa disso, Moisés e Arão não entraram na terra de Canaã.

    Podemos aceitar o fato de Arão não entrar na boa terra, por causa de sua rebelião contra seu irmão, quando Moisés escolheu uma mulher cuxita como esposa. Arão deveria ter procurado Moisés para ter comunhão como ele, mas em vez disso, ele e sua irmã Miriã atacaram-no abertamente, expressando a verdadeira razão de sua insatisfação: "Por ventura, tem falado o Senhor somente por Moisés? Não tem falado também por nós?" (Nm 12:2). Mas o fato de Moisés não entrar na terra de Canaã é dificil de entender. Moisés até pediu perdão e negociou com Deus: "Também eu, nesse tempo, implorei graça ao Senhor, dizendo: Ó Senhor Deus! Passaste a mostrar a teu servo a tua grandeza e a tua poderosa mão; porque que deus há, nos céus ou na terra, que possa fazer segundo as tuas obras, segundo os teus poderosos feitos? Rogo-te que me deixes passar, para que eu veja esta boa terra que está dalém do Jordão, esta boa região montanhosa e o Líbano" (Dt 3:23-25). Moisés sabia que havia errado, mas mesmo assim rogou ao Senhor para que o deixasse passar e ver a terra.

    Deus porém, disse: "Basta! Não me fales mais nisto" (v. 26b). Por ter ferido a rocha uma segunda vez e ter-se irado contra o povo, contrariando a determinação de Deus, Moisés não pode entrar na terra de Canaã, apenas contemplou-a do alto do monte Pisga (vs. 26-28). O Senhor não permitiu que Moisés, apesar de Lhe ser tão íntimo e tão útil em Seu propósito, entrasse na terra prometida. Isso mostra que os que saíram do Egito, de vinte anos para cima, incluindo Arão, Miriã e Moisés, tiveram de cair no deserto; apenas Josué, Calebe e a nova geração puderam entrar. A velha geração não pode entrar, apenas a nova geração.

    A boa terra de Canaã simboliza o Reino de Deus, que será estabelecido na terra após a vinda do Senhor Jesus, onde Cristo reinará com os vencedores por mil anos, e isso foi mostrado para o apóstolo João na visão de apocalipse: "O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos" (Ap 11:15). Isso irá durar por mil anos: "Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil anos" (Ap 20:6).

    A velha geração de Israel que não pode entrar na boa terra de Canaã simboliza o velho homem, quem ainda está em Adão, que não poderá entrar no Reino de Deus que está por vir. Assim como apenas a nova geração entrou na boa terra de Canaã, somente quem é novo homem, quem está em Cristo, pode entrar no Reino de Deus: "Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus" (Jo 3:5). Portanto hoje, amado irmão, nós que já nascemos de novo, nascemos de Deus, devemos a cada dia abandonar tudo do velho homem que ainda resta em nós, fazer cair no "deserto" a velha criação e nos revertir do novo homem: "Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou" (Cl 3:9-10).

    Portando, a história de Moisés nos serve como séria advertencia, principalmente para os que são líderes nas igrejas e irmãos usados pelo Senhor, mesmo que sejamos úteis nas mãos do Senhor, não podemos ir contra Sua vontade.

    No livro de Hebreus, ao fazer uma comparação entre o descanso de Israel na terra de Canaã com a entrada dos santos do novo testamento no reino vindouro, a palavra nos diz: "Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência" (Hb 4:9,11).


    Autor: Igreja em Caçapava